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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O regresso

Há semanas cheguei a recear que este blog estaria em vias de ser descontinuado, resultado da falta de conteúdo para aqui partilhar.


Subitamente a corrida parece ter perdido o seu encanto e algum romantismo para dar lugar a uma luta diária contra o meu próprio “eu” rumo a um novo objectivo: a maratona de Nova Iorque no dia 6 de Novembro de 2011.

Foram 4 meses de intenso treino. 1.258 kms percorridos. 115 horas de treino. Sacrifícios pessoais. E o ponto de partida? Uma cidade com condições díficeis para treinar (Luanda) e uma lesão no tendão rotuliano que não deu tréguas durante os dois primeiros meses.

Mas resisti. Treinei sobre a dor, desidratação e até queimaduras solares. Aos poucos o meu corpo adaptou-se e tornou-se mais resistente ao sofrimento. Mesmo antes da Maratona de Nova Iorque tinha a profunda convicção que saí desta fase mais forte física e mentalmente. E passei a dar valor a pequenas coisas como correr junto ao Tejo em Lisboa. Ou ter luz artificial para fazer um treino de séries à noite.

Corrida mais introspectivas e orientadas para um resultado final, aliadas a cenários de caos urbano africano e climas tropicais acabaram por quebrar algum gosto de escrever sobre os percursos que faço.

Mas o Running Routes está de volta. Mantenham-se atentos.

domingo, 10 de abril de 2011

Alvorada mexicana

Zocalo ao amanhecer

 Electricistas em greve
Mural de Diego Rivera no Palácio Nacional

Catedral
 
Paseo de la Reforma

Bosque de Chapultepec


 Cidade do México, Julho de 2010


Primeira noite em território mexicano no imponente Hotel Meliá em pleno Paseo de la Reforma.

O jet lag fez-se sentir de imediato e nem o cansaço da viagem fez com que dormisse para além das 5.30 da manhã. Estou completamente desperto e desejoso por explorar a Cidade do México pelo meu próprio pé.

Silenciosamente abandono o quarto, mas ao alcançar a porta do hotel apercebo-me que às 6 da manhã ainda é noite cerrada por aqui.

Como eu e a Cidade do México mal tínhamos sido apresentados, e sua fama não é a melhor, decido não arriscar. Faço um aquecimento deprimente na passadeira do ginásio do hotel esperando que os primeiros raios de sol irrompam o céu.

Mal estes aparecem, saio porta fora.

A cidade está a 2.000 metros de altitude e sinto o ar frio. Algo que não estava à espera durante umas férias de Verão. Sigo para um passeio repleto de história.

Operários da construção civil aglomeram-se junto às suas obras a beber uma espécie de sopa. Outros mais destemidos optam pelas barracas de tacos.

Sigo em direcção ao Zocalo. A praça central da cidade. E deparo-me com uma enorme manifestação de electricistas. Palavras de ordem contra o Presidente. Muitos pareciam andar nesta luta há dias. Os sindicatos mexicanos são fortes e movimentam milhares.

No centro da praça uma gigante bandeira dos Estados Unidos Mexicanos move-se lentamente ao sabor de ligeiras brisas matinais.

Contorno a praça junto ao Palácio Nacional onde residem os fabulosos murais de Diego Rivera. Adiante as ruínas do Templo Mayor Azteca. Ao lado a fabulosa Catedral. 500 metros repletos de história.

Regresso em direcção ao Bosque de Chapultepec (colina de gafanhotos). Subo o Paseo de La Reforma em passo mais acelerado e a altitude fazer-se sentir pela primeira vez. A respiração fica mais difícil de controlar e os meus pulmões ficam subitamente mais limitados. Alcanço o bosque pintado a vários tons de verde e mergulho num espaço de imensa calma. Outrora refúgio dos Aztecas, este bosque era um autêntico viveiro de serpentes e principal fonte de abastecimento de água à cidade antiga. Dizem que é o maior parque da América Latina. Mas o tempo era escasso e pouco mais pude fazer do que voltar a descer o Paseo de la Reforma em ritmo de prova.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pôr-do-sol Alentejano






Évora, Maio de 2010


Final de tarde alentejano. Início do treino junto ao Convento do Espinheiro enquanto o Sol vai perdendo força e se deixa cair lentamente em direcção à linha do horizonte.

Corro por entre moradias que começam a ficar cada vez mais espaçadas até alcançar uma estrada de terra numa típica planície alentejana. Prados verdejantes ocasionalmente coloridos por violetas e malmequeres e ainda povoados por sobreiros de diversas formas.

Adiante lebres começam a correr à minha frente. E atenção que estou-me a referir a lebres no sentido literal da palavra e não quenianos que por momentos se avistaram na planície alentejana. Receio que seja época de caça e seja um corredor com a cabeça a prémio. Mas depressa desvanecem essas preocupações.

São dezenas de lebres que talvez sentindo a proximidade de um elemento estranho começam a distanciar-se a grande velocidade. Impossível chegar perto.

As cores ficam mais vivas à medida que a luz alaranjada de final de tarde se espalha pelos campos. Tempo de regressar ao hotel e ver o pôr-do-sol da janela do quarto acompanhado por uma Sagres antes do jantar no fabuloso Fialho.
 
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